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Sofia é uma menina de 10 anos de idade e mora em orfanatos desde os dois.No seu prontuário consta que a mãe, que tinha mais três filhos, deixou-a lá “somente por um tempo, até achar um emprego”. Hoje, Sofia tem o adjetivo de “institucionalizada”, pois a mãe nunca mais voltou para buscá-la. Ela não sabe responder porquê está morando em um orfanato e não lembra nem de sua mãe nem de seus irmãos. Quando lhe perguntamos qual era o seu maior desejo, o maior presente que ela poderia ganhar, Sofia respondeu: “uma família”. Depois de alguns segundos, pensativa, completou: “eu queria alguém que me chamasse de filha, queria dormir numa cama aconchegante e ser feliz para sempre”.
“... Posso lhe dizer uma coisa sobre mim, não gosto muito de estar aqui, às vezes penso que me deixaram por querer, sem mais nem menos, e penso que Deus não existe. Mas logo tiro isso da minha mente. Aqui não é chato mas bem que queria estar com a minha mãe e minha família”. (trecho da carta de uma menina de 10 anos, também institucionalizada desde um pouco mais de 4 anos de idade).
Estes dois relatos destacam uma das necessidades básicas mais importantes do ser humano: de pertencer.
As Instituições Assistenciais têm um papel social importante para a sociedade pois sem elas milhares de crianças permaneceriam abandonadas nas ruas, sujeitas a todo tipo de situação de risco. Mas o papel da instituição é temporário,jamais permanente, e o esforço de todos deve ser na direção da restauração do convívio familiar. “O pensamento do senso comum acha que as crianças que estão nos orfanatos (abrigos) estão protegidas, têm abrigo e alimentação e estão sendo bem cuidadas. Existem muitos tipos de instituições, algumas mais e outras menos eficazes, mas em nenhuma delas existe o básico para o ser humano: viver com uma família, criar laços afetivos, sentir-se seguro, protegido e afetivamente nutrido” (Lídia Weber).
Sociologicamente, a família é classificada como um grupo primário, onde o cenário satisfaz a promoção de vínculos afetivo pessoal, íntimo e duradouro. É claro que estamos aqui nos referindo a imagem de uma família funcional. Por mais que a equipe de um abrigo esteja bem estruturada, ainda assim permanece aquém para suprir a necessidade de inclusão e afeição.
A institucionalização prolongada interfere na formação da identidade, subjetividade e sociabilidade da criança. Graças a Deus esta situação pode ser revertida. A solução: Uma família para quem ainda não tem família.
Susana Medeiros de Carvalho - Psicóloga
susana.medeiros@projetofilhosdocoracao.org.br
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