Depoimentos

Sara, um milagre de Deus...

Sara, foi a primeira criança que tivemos o prazer de cuidar no “Projeto Filhos do Coração”.
Fomos chamados ao gabinete da Juíza da Vara da Infância e Juventude de Teresópolis-RJ para sermos informados que a pequenina Sara , de 12 dias de vida, era portadora do HIV+, e que a partir daquele dia, ficaria conosco até que o Juizado encontrasse alguém que quisesse adotá-la.
Com a guarda, “sentença de abrigo” (autorização para residir com pessoas diferentes de seus pais biológicos) e autorização para retirá-la do hospital, minha esposa e eu trouxemos S. para casa.
A instrução que recebemos era para administrar o retro-viral AZT em forma líquida, e assim o fizemos.
Pensamos que, apesar do vírus, Sara que é uma criança linda, logo seria adotada. Infelizmente, as pessoas que vinham conhecê-la, nem mesmo queriam segurá-la no colo.
O preconceito, pelo qual ela não era culpada, e o tão triste desprezo pela vida humana faziam doer os nossos corações.
Fizemos novos exames e a situação era a mesma. Os resultados sempre mostravam a presença dos anticorpos da doença. Sara foi rejeitada por muitos casais.
Um dia quando orávamos, dissemos a Deus, que Sara nunca sairia de nossa casa, a não ser que alguém a adotasse e se caso isso não acontecesse, nós mesmos, iríamos adotá-la.

     Até que recebemos a visita de um casal de Deus. Eles já sabiam do caso grave da pequenina S. e choraram muito diante dela. Pegaram-na no colo e oraram conosco naquele dia. Não falaram em adotá-la ou outra coisa qualquer. Percebi o silêncio deles, mas no interior sabíamos que seriam eles, os futuros pais desta menina.
Após um mês, encontrei-me com um deles (o marido) encostado na porta de nossa Igreja. Cheio de coragem e alegria, disse a ele: "O que você está esperando para ser pai dessa menina?". Bondosamente, ele respondeu-me: “Vou falar com minha esposa”.
Ao chegar a sua casa, sua esposa, sem que ninguém lhe dissesse veio até ele dizendo: "Preciso falar com você sobre a Sara".  Ele ficou surpreso, pois, era exatamente sobre esse assunto que ele queria tratar com ela.
Daquele dia em diante, foram quase duas semanas de: entrevistas com psicólogas; visitas em sua casa; documentos assinados, e cada dia vivido na expectativa do momento em que a Juíza lhe desse a guarda de Sara.
Precisava perguntar àquela senhora: "E a doença de S.?". Ela me disse: "S. é nossa filha com AIDS ou não”.
Na primeira entrevista, a psicóloga lhe perguntou: "Quem é a senhora?" e ela respondeu: "Eu sou a mãe da Sara”. A pequenina Sara, tão frágil e com a pior das doenças existentes, foi definitivamente viver nos braços desses “papais do coração”.
Alguns meses mais tarde, pediram novos exames de pesquisa de HIV e coube a mim (Francisco) a incumbência de levar-lhes o resultado que novamente apresentava-se como “soro positivo”.
Nesse dia, choramos juntos, e a “sua mãe” falou para Sara: “Sara você é minha filha. Estarei ao seu lado durante todo o tempo de sua vida”. Nos abraçamos e oramos a Deus que se fosse de Sua vontade Ele fizesse um milagre.
Um ano depois, novamente, outro exame foi pedido e novamente fui entregar para eles o resultado.
Mas, desta vez, fui correndo levar a notícia que todos nós queríamos ouvir: “Soro Negativo. Não havia mais HIV no seu corpinho”. Encontrei-me com “sua nova mãe” mesmo na rua e ao contar-lhe sobre esse resultado, chorou muito de alegria. Seu desejo era de ajoelhar ali mesmo para agradecer a Deus. Corremos para a casa de sua sogra que era ali pertinho para dar essa maravilhosa notícia e juntos, louvamos muito a Deus.
Para confirmar o diagnóstico, novamente, fizeram um exame mais profundo e o resultado foi negativo. Hoje Sara. vive feliz nessa nova família do coração. O amor é sem limites e esses pais adotivos, são vidas que irradiam o amor de Deus.

Por Francisco C. e Nadir M. Montoni

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